Explorando a Arquitetura Marroquina: Seis Elementos Icônicos

O Marrocos é reconhecido não apenas por sua rica cultura e tradições, mas também por sua arquitetura singular que combina estética e funcionalidade. Guilherme Clemente David, arquiteto do escritório Lullius Arquitetura, descreve essa arquitetura como uma experiência sensorial que coloca o ser humano no centro do espaço. A construção marroquina, influenciada por diversas culturas, reflete uma harmonia entre a tradição e a inovação.

Influências Históricas na Arquitetura

As raízes da arquitetura marroquina remontam aos berberes, os povos nativos do Norte da África, que estabeleceram técnicas de construção em terra crua adaptadas ao clima árido da região. Com a chegada do Islã no século VII, as construções passaram a incorporar elementos espirituais, como a geometria que simboliza a ordem divina, e a caligrafia, que serve como ornamento sagrado. Camila Forcellini, coordenadora acadêmica na Universidade Anhembi Morumbi, destaca que essa nova perspectiva arquitetônica trouxe uma dimensão introspectiva às edificações.

Marcos Arquitetônicos

Um dos ícones mais representativos da arquitetura marroquina é a Mesquita Koutoubia, localizada em Marrakech. Construída no século XII, a mesquita se destaca pelo seu minarete quadrado, que se tornou uma referência estética na cidade. A herança andaluza também é notável, pois muitos artesãos e arquitetos que fugiram após a Reconquista espanhola trouxeram consigo as tradições arquitetônicas de Granada e Córdoba.

Riad: O Refúgio Interior

O riad, que em árabe significa 'jardim', é uma habitação tradicional marroquina estruturada em torno de um pátio ajardinado. Camila explica que essa configuração reflete a filosofia da introspecção, com fachadas cegas voltadas para a rua e um espaço interno rico em detalhes e vegetação. O pátio, frequentemente adornado com uma fonte central e cercado por galerias, proporciona um ambiente de tranquilidade e privacidade.

A Importância dos Pátios

Os pátios são essenciais na arquitetura marroquina, funcionando como um ponto de conexão entre o interior e o exterior. Na Medersa Ben Youssef, uma antiga escola islâmica do século XIV, o pátio é decorado com zellige (mosaicos de cerâmica) e estuques esculpidos, criando um espaço que impressiona pela exuberância. Além de servir como local de convivência, os pátios com fontes de água também contribuem para uma atmosfera serena.

Mesquitas e Suas Características

As mesquitas marroquinas, como a Universidade al-Qarawiyyin em Fez, são exemplos notáveis de como a arquitetura religiosa reflete a cultura local. Essa mesquita, que também abriga uma das instituições de ensino mais antigas do mundo, é famosa por seus pátios ricamente ornamentados com mármore, mosaicos de zellige e uma decoração elaborada em madeira e estuque. O espaço é considerado um dos mais contemplativos do Marrocos.

Jardins como Espaços de Contemplação

Os jardins na arquitetura marroquina são concebidos como extensões dos espaços internos, proporcionando um ambiente de contemplação e tranquilidade. O Jardim Majorelle, em Marrakech, é um exemplo emblemático, onde a combinação de azul cobalto com vegetação exótica cria um oásis de cor e paz. Esses jardins são projetados para harmonizar com os pátios, integrando elementos aquáticos e vegetais.

Conclusão: A Riqueza da Arquitetura Marroquina

A arquitetura do Marrocos é um testemunho da riqueza cultural e histórica do país, refletindo uma mistura de influências e estilos ao longo dos séculos. Desde os riads íntimos até as grandiosas mesquitas, cada elemento arquitetônico conta uma parte da história marroquina. Essa jornada através da arquitetura não apenas revela a beleza estética, mas também a profunda conexão entre os espaços e a vida cotidiana dos marroquinos.

Fonte: https://revistacasaejardim.globo.com