Os Tapetes Casa Caiada são um exemplo marcante da combinação de tradição e inovação na cultura pernambucana. A trajetória dessa técnica artesanal teve início na década de 1960, quando duas mulheres visionárias, Maria Digna Pessoa de Queiroz e Edith Pessoa de Queiroz, decidiram transformar sua paixão pela estética e pelo fazer manual em uma empreitada significativa.
As Pioneiras da Técnica
Maria Digna e Edith, integrantes de famílias tradicionais de Pernambuco, começaram a confeccionar pequenas peças em casa, inspiradas por suas raízes culturais e pela vida social da época. A historiadora Maria Eduarda Marques, autora do livro 'Casa Caiada, uma história entre linhas', ressalta que essa iniciativa começou de forma despretensiosa, quase empírica, mas logo se transformou em um projeto que valorizava a cultura local.
A Criação da Técnica Casa Caiada
O ponto de costura que deu origem à técnica Casa Caiada foi aprendido por Edith durante uma estadia no Rio de Janeiro. Influenciada pelo circuito cultural carioca e pela coleção de artes visuais de seu marido, ela desenvolveu um ponto semelhante ao tradicional ponto português de Arraiolos. Com uma variação inovadora que incluía uma laçada extra, a técnica conferiu resistência e firmeza aos produtos, permitindo a criação de almofadas e tapetes que encantavam a elite pernambucana em chás da tarde.
A Inserção de Mulheres na Produção
Com o reconhecimento da técnica, a produção se expandiu. Thereza Pessoa de Queiroz, filha de Maria Digna, revela que, inicialmente, sua mãe percebeu que a produção era lenta e, por isso, começou a envolver outras mulheres, proporcionando-lhes uma fonte de renda sem que precisassem sair de casa. Esse movimento gerou uma rede de colaboração e aprendizado que se estabeleceu naturalmente entre as participantes.
O Contexto Cultural de Recife
A história dos Tapetes Casa Caiada se desenvolveu em um contexto de transformação cultural em Recife, marcada pelos desafios da ditadura militar. A cidade, apesar dos tempos difíceis, mantinha uma sensibilidade aguçada para o patrimônio e a memória arquitetônica. Maria Eduarda destaca que a identidade visual dos tapetes foi moldada pelo diálogo com a azulejaria colonial, incorporando elementos da paisagem urbana local.
Legado e Reconhecimento
Hoje, o Ateliê Casa Caiada, localizado no bairro da Iputinga, no Recife, é reconhecido como o berço dessa tradição artesanal. A técnica e os produtos da Casa Caiada não apenas perpetuam um legado cultural, mas também representam a força e a resiliência das mulheres que contribuíram para sua história. A combinação de estética, história e inovação continua a encantar novas gerações.
Os Tapetes Casa Caiada são, portanto, mais do que simples itens decorativos; eles são um testemunho vivo da cultura pernambucana, da habilidade feminina e da força criativa que, mesmo em tempos desafiadores, encontrou espaço para florescer.

