Escola Panamericana de Arte e Design: Um Marco Arquitetônico em São Paulo

Localizada na Avenida Angélica, a Escola Panamericana de Arte e Design não é apenas um espaço dedicado à educação, mas também um exemplar notável da arquitetura contemporânea. Com um design que reflete o movimento high tech, o edifício destaca-se por sua estrutura exposta e pela transformação de elementos técnicos em ícones estéticos, conforme descreve o arquiteto Siegbert Zanettini, responsável pelo projeto.

A Influência de Siegbert Zanettini

Zanettini, que também é ex-professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, enfatiza que seu trabalho não buscou simplesmente replicar modelos internacionais, mas adaptar essas influências à realidade construtiva brasileira. Seu impacto foi notável na cena arquitetônica dos anos 1990, época em que obras semelhantes eram raras no Brasil, sendo mais comuns na Europa e nos Estados Unidos, como observa Fernando Vázquez Ramos, professor da Universidade São Judas Tadeu.

A História da Escola Panamericana

A fundação da Escola Panamericana de Arte e Design remonta a 1963, quando o artista argentino Enrique Lipszyc estabeleceu a instituição com o intuito de oferecer formação artística acessível e vinculada ao mercado criativo. Iniciando suas atividades em um modesto sobrado na Rua Augusta, a escola começou com apenas seis salas de aula e oito professores, focando em cursos de pintura, desenho e histórias em quadrinhos.

Evolução Arquitetônica e Pedagógica

Ao longo dos anos, a Escola Panamericana se destacou pela ocupação de edifícios com linguagem arquitetônica marcante. Após sua primeira sede, a escola mudou-se para um prédio de caráter construtivista na Rua Conselheiro Brotero na década de 1970, estabelecendo uma conexão entre a arquitetura e a identidade pedagógica. Essa relação se intensificou com a unidade projetada por Zanettini na Rua Groenlândia, que possui uma estrutura piramidal e foi pensada para dialogar com a experimentação e a proposta pedagógica da escola.

A Nova Sede na Avenida Angélica

A mudança para a nova sede na Avenida Angélica, ocorrida no final dos anos 1990, representou uma transformação significativa na trajetória da escola. Não se tratava apenas de um espaço maior, mas de uma oportunidade para materializar uma nova visão sobre a educação artística, enfatizando a experimentação espacial. O projeto arquitetônico, com sua estrutura metálica e volumes envidraçados, destaca-se em um contexto onde o concreto predominava, refletindo escolhas que priorizam a eficiência construtiva.

O Processo de Tombamento

O edifício da Escola Panamericana, por sua relevância arquitetônica e contribuição cultural, está em processo de tombamento. Essa iniciativa visa preservar não apenas a estrutura física, mas também a importância histórica e pedagógica que a escola representa para o cenário artístico brasileiro. O tombamento é um reconhecimento do valor da arquitetura como parte do patrimônio cultural, assegurando que futuras gerações possam apreciar e aprender sobre essa importante instituição.

Conclusão

A Escola Panamericana de Arte e Design é muito mais do que um centro educacional; é um exemplo de como a arquitetura pode dialogar com a arte e a educação. Com uma história rica e uma proposta pedagógica inovadora, o edifício na Avenida Angélica simboliza a integração entre forma e função, refletindo a evolução da educação artística no Brasil. O processo de tombamento é um passo crucial para assegurar que esse legado continue a inspirar futuras gerações de artistas e arquitetos.

Fonte: https://revistacasaejardim.globo.com