Instituto Burle Marx: Preservação do Legado do Mestre Paisagista

O Instituto Burle Marx, sob a liderança de Isabela Ono, busca preservar e promover o legado do renomado paisagista Roberto Burle Marx. Formada em arquitetura e paisagismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Isabela tem uma conexão pessoal com a obra, sendo filha de Haruyoshi Ono, que trabalhou com Burle Marx por quase três décadas. Essa herança não é apenas profissional, mas também emocional, refletindo um profundo respeito e admiração pelo trabalho do mestre.

A História do Instituto

O Instituto foi fundado com o intuito de garantir que o vasto acervo de Burle Marx fosse devidamente preservado e acessível, superando as limitações de um escritório tradicional. Isabela ressalta a importância de um acervo tão rico que não deveria se restringir a quatro paredes. A iniciativa ganhou força após a morte de Haruyoshi, em 2017, que havia contribuído para a formação de uma nova geração de paisagistas, incluindo Isabela e seus irmãos.

O Legado de Burle Marx

Roberto Burle Marx, conhecido por sua abordagem inovadora e colaborativa, assinou mais de dois mil projetos ao longo de sua carreira, sempre valorizando a contribuição de sua equipe. Isabela enfatiza que o legado dele nunca pertenceu exclusivamente a uma única pessoa, mas sim à coletividade que trabalhou ao seu lado. A preservação dessa história é fundamental para reconhecer a importância do trabalho coletivo no campo da arquitetura paisagística.

Metodologia de Arquivamento

Desde a década de 1960, Burle Marx e seu colaborador José Tabacow desenvolveram uma metodologia de arquivamento que é utilizada até hoje. Essa metodologia, que consiste na numeração cronológica dos projetos, foi essencial para a organização do acervo. Isabela destaca que, desde os anos 30, já existiam álbuns e recortes de jornais que demonstravam a consciência de que estavam construindo uma narrativa histórica.

Diagnóstico e Conservação do Acervo

Em 2019, o Instituto iniciou um diagnóstico detalhado do acervo, contando com a colaboração de especialistas em conservação e documentação. Após a pandemia, a equipe se reestruturou, e duas museólogas foram contratadas para focar exclusivamente na catalogação e preservação do material. A primeira exposição do Instituto, que apresentou 250 projetos analisados, foi realizada em parceria com a Casa Roberto Marinho, destacando a relevância contínua das obras de Burle Marx.

Restaurando a Visibilidade das Obras

Uma das missões essenciais do Instituto é trazer à tona obras que, embora presentes na paisagem urbana, muitas vezes passam despercebidas. Exemplos como o Largo do Machado e o Largo da Carioca exemplificam essa situação. Isabela acredita que, apesar da necessidade de restauração, a essência dos projetos ainda está preservada, e o Instituto trabalha para garantir que esses espaços sejam reconhecidos e valorizados.

Conclusão

O trabalho do Instituto Burle Marx representa um esforço contínuo para honrar e proteger o legado de um dos maiores paisagistas do Brasil. Sob a liderança de Isabela Ono e sua equipe predominantemente feminina, a iniciativa não apenas preserva a história, mas também busca inspirar novas gerações a valorizar a integração entre a natureza e a urbanidade, um princípio que sempre norteou a obra de Burle Marx.

Fonte: https://revistacasaejardim.globo.com