Fundada em 1929 pela família Pessôa de Queiroz, a Usina Santa Terezinha rapidamente se destacou como uma potência no setor sucroalcooleiro, com uma estrutura impressionante que incluía galpões, uma extensa malha ferroviária e até um aeródromo. Contudo, após a intervenção do governo militar em 1982, a usina entrou em um processo de declínio, culminando com o fechamento definitivo de suas atividades em 1998.
O Renascimento da Usina de Arte
Mais de dez anos após o fechamento, Ricardo Pessôa de Queiroz decidiu resgatar a propriedade da família por meio de leilões, incluindo a sede histórica que estava em ruínas. Motivado por lembranças da infância e pela inspiração de sua esposa, ele concebeu um projeto para revitalizar o espaço, enfatizando a importância de envolver a comunidade local nesse novo capítulo.
Concepção do Espaço Cultural
Embora houvesse expectativa na comunidade por uma reabertura das atividades industriais, Ricardo reconheceu que o modelo tradicional não era mais viável. Assim, ele iniciou um diálogo com moradores, educadores e líderes, além de buscar inspiração no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, o que culminou na criação de um polo turístico e cultural que visava impulsionar a economia local.
Inauguração da Usina de Arte
Em 2015, a Usina de Arte foi oficialmente inaugurada com o objetivo de promover cultura, educação e conscientização ambiental. A proposta se dividiu em duas frentes principais: a criação de um parque artístico-botânico e o desenvolvimento de ações socioeducativas.
Parque Artístico-Botânico
O parque, idealizado pelo biólogo e paisagista Eduardo Gomes Gonçalves, abrange 35 hectares de área reflorestada com mais de 10 mil plantas de mais de 600 espécies, priorizando a flora nativa. A proposta de integrar arte contemporânea à paisagem natural foi um dos pilares da visão de Ricardo, que desejava que as exposições artísticas se fundissem em harmonia com o meio ambiente.
Iniciativas Socioeducativas
A segunda parte do projeto focou em ações educativas, que incluem cursos, oficinas e programas de visitas pedagógicas. A Usina de Arte conta com uma escola de música, uma biblioteca com um acervo de mais de cinco mil livros e um Fab Lab, que oferece tecnologia de ponta para apoiar iniciativas comunitárias.
Preservação do Patrimônio Histórico
As instalações do complexo foram cuidadosamente restauradas, garantindo a segurança e o conforto dos visitantes, enquanto se preservavam as características originais da usina. Ricardo destaca a importância de respeitar o legado histórico e arquitetônico do local, promovendo um diálogo entre o passado e as novas funções do espaço.
O Impacto Cultural da Usina de Arte
Atualmente, a Usina de Arte abriga mais de 30 obras ao ar livre, incluindo instalações notáveis como a escultura em bronze de Flávio Cerqueira e a obra 'Claro-escuro' do artista chileno Alfredo Jaar, que se destaca na fachada do antigo prédio fabril. Este novo espaço cultural não apenas ressignificou um patrimônio industrial, mas também se tornou um ponto de encontro para a comunidade, estimulando a criatividade e a educação.

